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Durante a minha infância,
muitas vezes ouvia as pessoas comentarem pinturas de um senhor alemão de
nome Max Römer. Quando procurei juntar mais informações sobre este cidadão,
existia sempre um vazio de conhecimento inexplicável: ninguém conseguiu
dar-me elementos concretos sobre a vida e obra deste artista. Sabia que
tinha executado imensas obras por toda a Ilha da Madeira e que tinha pintado
obras religiosas na capela de uma quinta de familiares em Água de Pena.
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| Quinta da Queimada - Agua de Pena |
Capela de N.S.Perpétuo Socorro |
Oleo de Max Römer |
Ao fim de algumas
décadas, e por grande acaso, descubro uma aguarela que confirma toda a
teoria que realmente esteve no local anteriormente mencionado. Só agora me
foi possível obter informação mais detalhada de Max Römer, tão ignorado e,
ao mesmo tempo, tão amado pelos Madeirenses. Através de um artigo editado na
revista Atlântico, do Verão de 1988, com um texto de Eberhard Axel Wilhelm,
investigador de obras germânicas com respeito à Madeira, consegui reunir a
presente informação que, de uma forma muito resumida, pretende elucidar,
dentro dos possíveis, outros cidadãos que apreciam a sua obra.
A vida de Max Wilhelm
Römer começa na cidade de Hamburgo, em 22 de Novembro de 1878. Filho de Carl
Heinrich Wilhelm Römer e de Maria ou Marie Sophia Catharina Römer, foi
baptizado na Igreja Luterana de São Pedro, Hamburgo, em 25-12-1879. Conheceu
Louise Kätchen Parizot, de origem Javaneza, na Empresa “Ledertechnik Holbe”,
para a qual desenhava. Posteriormente, casou com esta jovem, em 24-05-1902,
e daí nasceram os filhos: Max Römer (Hamburgo, 20-04-1902/1960); um irmão
gémeo (falecido com 8 dias de idade); Anita Kätchen ou Anita Louise Römer
(Hamburgo, 6-12-1904/Funchal-S. Martinho, 30-10-1934), solteira, pintora e
doméstica; Rolf Reinhold Römer (nascido em Hamburgo a 30-10-1909) e Valeska
(Valli) Melati Römer (Hamburgo, 8-1-1911/Funchal, 25-8-1988).
Max Römer cumpriu o
serviço militar entre 1915 e 1918, na Primeira Guerra Mundial, onde esteve
na frente de batalha da Champagne e do Somme (França), na Roménia e na
Grécia. Terminada a guerra, e por influência de um amigo dinamarquês, que
lhe conta maravilhas da beleza da Ilha da Madeira, decide embarcar no vapor
“Curvello” da Lloyd’s Brasileira e rumar a esta Ilha na companhia da esposa
Kätchen e dos filhos Rolf, Anita e Valeska.
É na Madeira que inicia
incessante obra, passando para o papel a imagem e os costumes desta terra,
durante 38 anos. Trabalhos seus estão publicados na revista Illustrirte
Zeitung, em 25-03-1925, com um número especial dedicado à Madeira e à obra
deste Hamburguês, com texto de Emil Franz Gesche, na altura cônsul alemão no
Funchal. Habitou em São Roque, Estrada Monumental e, por fim, até à sua
morte, na Rua Major Reis Gomes.
Os seus trabalhos são uma
miscelânea de temas, que vão desde o Palácio de São Lourenço, São Vicente,
Porto Santo, Madeira Wine, na Madeira, e, na Alemanha, o Hall do Dresdner
Bank, em Berlim, os Paços do Concelho, em Hamburgo e Bremen, e trabalhos
para os paquetes “Großer Kurfürst”, “Fürst Blücher” e “Imperator”.
Trabalhava com diversos materiais, fossem óleos, desenhos a carvão, guaches,
mas foram as suas aguarelas que lhe deram o prestígio que ainda nos nossos
dias possui. Fazia trabalhos publicitários para firmas e cinemas
funchalenses, cartazes turísticos, postais, cartões de Boas-Festas, etc..
O seu falecimento ocorre
em 18-08-1960, aos 81 anos. No Funchal, viviam, na altura, a esposa, que
veio a falecer com quase cem anos, e a filha Valeska, ao passo que o filho
Rolf residia na Alemanha. Em 26-04-1984, a Região Autónoma da Madeira
homenageou Rolf e Valeska Römer, tendo, na altura, o seu filho doado à
Madeira o património artístico do pai.
Trabalhos de Max Römer
É impossível descrever
toda a sua obra, por falta de conhecimentos sobre a mesma e porque os seus
trabalhos estão espalhados por diversas partes do Mundo. Ainda há pouco
tempo, vendiam-se muitos trabalhos deste pintor alemão numa galeria de arte
norte-americana, em leilão. Irei destacar algumas reproduções em formato
postal, por serem estes os mais facilmente identificáveis pelas pessoas que
precisam apenas de ver o seu “traço” para reconhecerem uma obra de Max Römer.
Agradecimentos especiais
pelo trabalho de texto publicado, bem como pela sua tradução para língua
alemã a Eberhard Axel Wilhelm.(1)
(1)Eberhard Axel Wilhelm – Max Römer, postais madeirenses percorrem o Mundo
– in Revista Atlântico # 14. Funchal: António Loja. Verão 1988
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Hotel Bella Vista - 1946
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Casa
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Figura feminina 1945
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Pilar de Banger and Bay
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Xmas card
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Bordadeiras
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Borracheiro
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Buganvilea
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Childrens
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Sainth Paul kapelle
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Krypte des Kaisers Karl I von Österreich
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Eine Fahrt im Ochsenschlitten auf Madeira
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Ochsenschlitten
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Carro de bois
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Schlittenfahrt auf Madeira
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Touristic showcard
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Coast of Madeira
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Wine transport
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Road to the village of Camara de Lobos
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Road
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Fischer auf Madeira
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Flower's seller
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Im Hafen von Funchal
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Kirche von Monte
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Road - 1929
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Kiss (courtesy Michael Kassab)
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Levada do Rabaçal
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Flowers
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Madeira House
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Easter morning flowers
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Road from Monte
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Moonlight in Funchal Bay
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Naval command
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Palms draw
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Ficherman
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Saint John Castle
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Maritime Pilar de Banger
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Quinta Belém
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Quinta Esperança
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Hammock riding
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Reid's garden
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Reid's Pallace Hotel
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Reid's pier
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Madeira Wine wall
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Madeira wine
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Road to Monte
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Rua das Maravilhas
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Rua dos Ilheus
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Sanftentrager
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Santo Amaro kappelle
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Sé Catedral
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Sé
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Transporte de Frutas
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View of Madeira
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Xmas card (from M. Kassab)
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Xmas card (courtesy Michael Kassab)
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In
meiner Kindheit hörte ich oft Leute Bemerkungen zu Gemälden eines Deutschen
mit Namen Max Römer machen. Als ich versuchte, an weitere Informationen über
diese Person zu gelangen, tat sich immer ein unerklärlicher Kenntnismangel
auf: niemand konnte mir konkrete Einzelheiten zu Leben und Werk dieses
Künstlers zukommen lassen. Ich wußte, daß er auf der ganzen Insel Madeira
eine beachtliche Anzahl von Werken vollendet hatte und in einer Kapelle
eines Landgutes von Familienangehörigen in Água de Pena religiöse Bilder
gemalt hatte.
Nach einigen Jahrzehnten entdeckte ich durch einen
großen Zufall ein Aquarell, das die Theorie völlig bestätigt, daß er
wirklich an dem genannten Ort war. Erst jetzt war es mir möglich, über den
so wenig bekannten und gleichzeitig von den Madeirensern so sehr geliebten
Max Römer genauere Hinweise zu bekommen. Durch einen im Sommer 1988 in der
Zeitschrift Atlântico erschienenen Artikel mit einem Text Eberhard Axel
Wilhelms, der sich für Werke von Deutschsprachigen zur Insel Madeira
interessiert, gelang es mir, die vorliegende Information zu sammeln, die in
sehr zusammengefaßter Weise innerhalb der Möglichkeiten anderen Auskunft
erteilen möchte, die sein Werk schätzen.
Max Römers Leben beginnt am 22. November 1878 in Hamburg.
Er war der Sohn des Carl Heinrich Wilhelm Römer und der Maria oder Marie
Sophia Catharina Römer und wurde am 25.12.1879 in der Hamburger lutherischen
Peterskirche getauft. Er lernte die aus Java stammende Louise Kätchen
Parizot in der Firma „Ledertechnik Holbe“ kennen, für die er zeichnete.
Später heiratete er diese junge Frau am 24.5.1902, und sie hatten die Kinder
Max Römer (Hamburg, 20.4.1902 – 1920); dessen (nach acht Tagen verstorbenen)
Zwillingsbruder; die ledig gebliebene Malerin und Hausfrau Anita Kätchen
oder Anita Louise Römer (Hamburg, 6.12.1904 – Funchal-São Martinho,
30.10.1934); Rolf Reinhold Römer (geboren in Hamburg am 30.10.1909) und
Valeska (Valli) Melati Römer (Hamburg, 8.1.1911 – Funchal, 25.8.1988).
Max Römer leistete seinen Militärdienst von 1915 bis 1918
im Ersten Weltkrieg ab und nahm dabei an der Front in der Champagne und an
der Somme teil und kämpfte in Rumänien und Griechenland mit. Nach Kriegsende
beschloß er, von einem dänischen Freunde beeinflußt, der ihm die Schönheit
der Insel Madeira in den herrlichsten Farben schildert, sich auf dem Dampfer
„Curvello“ des brasilianischen Lloyd einzuschiffen und in Begleitung seiner
Frau Kätchen und seiner Kinder Rolf, Anita und Valeska zu dieser Insel zu
reisen.
Auf Madeira beginnt er sein unablässiges Werk und bringt
dabei 38 Jahre lang das Bild und die Bräuche dieser Insel zu Papier. Einige
seiner Werke sind in einer Extranummer vom 25.3.1925 der Publikation
Illustrirte Zeitung veröffentlicht, die Madeira und dem Werk dieses
Hamburgers gewidmet ist und einen Text Emil Franz Gesches, des damaligen
deutschen Konsuls in Funchal, enthält. Er wohnte in São Roque, der
Estrada Monumental und zum Schluß bis zum Tode in der
Major-Reis-Gomes-Straße.
Seine Arbeiten umfassen eine Mischung aus Themen, die im
Madeiraarchipel im Sankt-Lorenz-Palast, in São Vicente, auf Porto Santo und
in der „Madeira Wine“ und in Deutschland in der Berliner Halle der Dresdner
Bank und in der Hamburger und Bremer Stadthalle zu sehen sind, ferner
Darstellungen für die Dampfer „Großer Kurfürst“, „Fürst Blücher“ und
„Imperator“. Er arbeitete mit verschiedenen Materialien und schuf Ölgemälde,
Kohlezeichnungen und Guachen, doch waren es seine Aquarelle, die ihm zu dem
Ruf verhalfen, den er noch heute besitzt. Außerdem stellte er z. B.
Werbearbeiten für madeirensische Firmen und Kinos, Plakate für den Tourismus,
Ansichts- und Festtagskarten her.
Sein Tod trat am 18.8.1960 ein, als er 81 Jahre alt war.
In Funchal lebten seinerzeit seine Frau, die später fast 100jährig verstarb,
und die Tochter Valeska, wohingegen der Sohn Rolf in Deutschland lebte. Am
26.4.1984 ehrte de Autonome Region Madeira Rolf und Valeska Römer; der Sohn
hatte Madeira damals das künstlerische Werk des Vaters geschenkt
Max Römers Arbeiten
Es ist unmöglich, sein gesamtes Werk zu beschreiben, da
es mir in seiner Gesamtheit nicht bekannt ist und weil seine Arbeiten über
verschiedene Teile der Welt verstreut sind. Noch vor kurzem wurden viele
Bilder dieses deutschen Malers in einer nordamerikanischen Kunstgalerie
versteigert. Ich werde einige Reproduktionen in Postkartengröße
herausstellen, bei denen es sich um diejenigen handelt, die am leichtesten
zu identifizieren sind, zumal man nur seinen „Strich“ zu sehen braucht, um
ein Werk Max Römers zu erkennen.
Besonderer Dank für die Veröffentlichung des Textes
und seine Übersetzung ins Deutsche gilt Eberhard Axel Wilhelm.
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